Raul Teixeira narra, em oratória de profundas reflexões, episódio ocorrido consigo e que lhe conferiu sábia lição.
Conta que foi a uma cidade e percebeu que, quando falava em determinada assembleia religiosa, os integrantes da outra instituição não compareciam.
E vice-versa. Aquilo lhe causou estranheza. Como os lidadores do bem, os que se encontram vinculados a uma Instituição que tem por objetivo espalhar a semente da boa nova, podem ter esse tipo de comportamento?
Ele mesmo se perguntou: Como falarei de Cristo, de paz, de trabalho, de Evangelho no meio dos cristãos de mal um com o outro?
Confessa que sofreu muito. Mas deu conta de todas as tarefas. De retorno à sua cidade, Niterói, chegou em casa, depôs a mala, sentou-se na cama e chorou.
Descreve que a sensação que tinha era de quem enxugava gelo com pano quente. Para quem ele fora pregar?
Recordou das palavras de advertência de Espírito amigo, que registrara:
Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa.
Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!
Angustiado, deixava que as lágrimas lhe lavassem a face, quando lhe apareceu o Espírito Camilo, seu benfeitor espiritual.
Olhou profunda e demoradamente a Raul, que se sentiu como que radiografado.
Então, lhe perguntou como se já não houvesse auscultado a alma do seu pupilo: Por que você chora?
Acabrunhado, Raul declinou as razões, extravasou toda sua tristeza. Quando concluiu, ouviu a voz do amigo:
Pois é, meu filho, e pensar que você já poderia estar longe de tudo isto.
A frase chocou o orador. Mas deu-se conta de que aquilo valia mesmo para ele.
E vale, igualmente, para nós. Essa é a realidade dos que sofremos com a injustiça, que nos martirizamos com a criminalidade, que nos sentimos violados em nossos direitos com a violência tranquilamente livre nas nossas sociedades.
Poderíamos ter saído desse tormento, deste mundo aturdido em que nos achamos.
Quantas vezes já ouvimos o chamado de Jesus. E, com tudo que ouvimos, que nos foi reprisado, ainda não nos unimos a Ele.
Poderíamos não mais viver as situações tristes que vivemos. Poderíamos ser melhores.
E, se fôssemos melhores, o mundo seria melhor. Já viveríamos o mundo de regeneração, de menos dores e mais trabalho no bem.
De menos maldade e maiores benefícios pela família humana.
Poderíamos estar vivendo a realidade crística: Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.
Isso é possível, de forma mais rápida. Basta nos decidirmos pela sua concretização.
Talvez, para acelerar nossa vontade, nos recordemos dos convites do suave nazareno:
Vem e segue-me. O meu jugo é suave e meu fardo é leve.
Vinde, benditos de meu pai para o reino que vos tenho preparado.
Redação do Momento Espírita, com narrativa
extraída do curta Poderíamos ser melhores,
disponível no @canalfep e citação do cap. XX,
item 4 de O Evangelho segundo o Espiritismo,
de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 25.5.2026
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