Momento Espírita
Curitiba, 23 de Maio de 2026
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ícone Como vemos o outro

Não vemos os outros como realmente são. Vemos os outros como nós somos.

É de se estranhar a afirmativa. Como assim, ver o outro como somos?

Toda vez que fazemos um julgamento, toda vez que fazemos avaliação de uma pessoa, estamos fazendo com os instrumentos que temos, isto é, com a nossa própria lente.

Acontece que essa lente é complexa. Foi formada com nossas experiências ao longo de anos, séculos, até milênios.

Cada um de nós enxerga com uma lente própria, com seus valores, com sua cultura, com tudo aquilo que aprendeu.

Nossos óculos têm um pouco dos óculos dos nossos pais. Têm outro tanto dos amigos com quem convivemos. Outra parte do próprio caldo cultural no qual estamos inseridos.

Alguns de nós temos as lentes bastante distorcidas, rachadas, quebradas, pois vivemos experiências que nos marcaram ou traumatizaram profundamente.

Em decorrência disso, a nossa visão está afetada. Naturalmente, o nosso julgamento será diferente daquele que está ao nosso lado, e não sofreu o que sofremos.

Imaginemos que cada um de nós se serve de um par de óculos. Esses óculos estão conosco há muito tempo e vêm sendo configurados conforme nossas necessidades.

Eles são parte de nós. Tudo que enxergamos é através deles.

Podemos entender por que a visão que temos do outro, da vida, passa sempre pelo filtro próprio desses nossos óculos?

Eles podem estar escurecendo tudo. Pode ser um par de óculos, com filtro que bloqueia certos reflexos, mostrando cores diferentes do que outros enxergam.

Pode ainda estar com pequenos pontos de sujeira, o que nos fará jurar sempre que alguma coisa está errada em tudo que enxergarmos.

Quem sabe possamos entender por que é temerário sair por aí emitindo julgamentos sobre a vida do outro, achando que somos os donos da verdade.

O que seria a verdade? Seria a realidade sem lentes alteradas. E quem de nós a possui?

Impossível não emitir julgamentos, alguém poderia argumentar. Sim, certamente, porém a lição é inspirada na prudência proposta por Jesus.

Não julgueis, a fim de não serdes julgados, porquanto sereis julgados conforme houverdes julgado os outros.

Vejamos, primeiro, exatamente a ideia das lentes. Uma vez que nos colocamos na posição de julgadores vorazes, naturalmente estamos nos expondo a sermos igualmente julgados dentro da mesma regra: por lentes limitadas e repletas de imperfeições.

Em segundo lugar, o Mestre nos ensina que não devemos julgar os outros com mais severidade do que julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos.

Em nossos óculos, deve haver bondade, compreensão, indulgência.

Em nossos óculos, devemos perceber a sutil incidência de raios de luz transversais que, ao baterem na lente pelo lado de dentro, mostram o nosso próprio reflexo.

Olhar para o outro é olhar para nós mesmos.

Por isso o sábio Mestre de Nazaré estabeleceu que a lei do amor mantém sempre unidas as propostas de amar ao próximo e a si mesmo.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita
Em 23.5.2026

 

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