Muitos de nós recordamos do encontro de Jesus com a mulher surpreendida em adultério.
Ela recebeu o rótulo de adúltera devido ao vício humano de julgar sem indulgência.
Ela era muitas outras coisas, tinha outras características. Por que rotulá-la por causa de um dos seus deslizes?
Jesus interveio no momento certo, evitando mais um apedrejamento, comum na época e, curiosamente, ainda persistente nos tempos atuais, mesmo que seja com outras características.
Passado o momento, o Apóstolo João, desejando aprender mais, voltou-se para o Mestre, inquirindo qual a razão de Ele não ter permitido que a lei antiga fosse cumprida.
Ela pecou e fez jus à punição. Não está escrito que os homens pagarão, ceitil por ceitil, os seus próprios erros?
Jesus se serve da indagação para demonstrar como as leis de Deus são muito maiores, muito mais amorosas e belas do que nossa compreensão.
É nesse instante que o Nazareno apresenta o amor da Sua revelação em contrapartida à rigidez das leis antigas, sem jamais deixar de respeitá-las.
Sorriu e, sem se perturbar, respondeu:
Ninguém pode contestar que ela tenha pecado. Porém, quem estará impecável na face da Terra?
Há sacerdotes da lei, magistrados e filósofos que prostituíram suas almas por baixo preço. Contudo, ainda não vi seus acusadores.
Vejamos que Jesus inicia concordando que houve equívoco e que todos somos passíveis de errar no mundo. Destaca a hipocrisia da sociedade que enxerga os erros de alguns apenas, enquanto mantém na penumbra equívocos maiores de tantos outros.
E continuou esclarecendo:
Deus é o Pai de bondade infinita que aguarda os filhos pródigos em Sua casa.
Faz menção à parábola antes contada, do pai amoroso que recebe o filho perdido de braços abertos, que deseja o bem de suas criaturas, que deseja o fim do pecado e não do pecador.
Em seguida, prosseguiu:
Podemos desejar para a pecadora tormento maior do que aquele a que ela própria se condenou por tempo indeterminado?
Quantas vezes lhe tem faltado pão à boca faminta ou a manifestação de um carinho sincero à alma angustiada?
Raras dores do mundo serão idênticas às agonias de suas noites silenciosas e tristes. Esse o seu doloroso inferno, sua aflitiva condenação.
Jesus oferece um novo ângulo para nossa visão: enxergar o outro, entender as suas dores, perceber que quem erra já sofre as consequências do mal praticado, isto é, já se encontra no processo de quitação de dívidas com as leis maiores.
Esse é o ponto que nos escapa, como julgadores impiedosos. Só vemos uma parte, não enxergamos o todo. Quem enxerga o todo é o Criador, por isso a justiça mais sábia estará sempre nas mãos divinas.
Jesus entendeu que aquela punição era demasiada. Uno com Deus, conhecia as dores íntimas daquela mulher. Conhecia-lhe toda a história.
Será que, quando nos pomos a julgar, temos ciência de toda a história da pessoa que estamos condenando severamente?
Pensemos nisso. Lembremos de Jesus e de como compreendeu a história dessa mulher. Uma mulher, um ser humano, como você e eu, ainda falhos. Apenas isso.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13,
do livro Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 26.5.2026
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