A jovem chegou ao aeroporto, com certa antecedência. Ela era assim. Preferia chegar antes e ficar aguardando do que chegar esbaforida, em cima da hora.
Antes de se dirigir para a sala de embarque, entrou na livraria e adquiriu um livro. Afinal, ela poderia aproveitar aquele tempo de espera com uma leitura agradável.
Também comprou um pacote de biscoitos.
Então, procurou uma poltrona numa parte reservada do aeroporto para que pudesse descansar e ler em paz. Ao lado dela se sentou um homem.
Ela principiou a leitura do livro, ao mesmo tempo que apanhou o primeiro biscoito, no pacote.
Estranhamente, o homem também pegou um biscoito, no mesmo pacote.
Ela ficou indignada, mas não disse nada. Pensou: Que sujeito abusado. E ainda sorri quando olho para ele.
E, a cada biscoito que ela pegava, o homem também pegava um.
Aquilo a foi deixando mais e mais indignada. Tão incomodada que ela nem conseguia reagir.
Por fim, restava apenas um biscoito no pacote e ela pensou: O que será que o abusado vai fazer agora?
O homem sorriu outra vez, dividiu o biscoito ao meio, deixando a outra metade para ela.
Aquilo a deixou furiosa. Era o cúmulo! Ela pegou o seu livro, seus pertences e foi para a sala de embarque.
Mais tarde, quando se sentou confortavelmente, no interior da aeronave, abriu a bolsa à procura de um espelho para ver como estava o seu rosto.
Imaginou que ainda deveria estar vermelho de raiva!
Sua surpresa foi enorme. Ali, dentro da bolsa, fechadinho, estava o seu pacote de biscoitos.
Nesse momento, ela ficou vermelha de vergonha. Quem estava errada o tempo todo era ela. E não havia tempo para voltar e pedir desculpas ao homem, a quem nem agradecera a gentileza de dividir os biscoitos.
Tinha ficado tão transtornada por pensar que eram os seus biscoitos que estavam sendo devorados pelo desconhecido e, no entanto, ele dividira sem mostrar preocupação alguma.
* * *
O fato nos leva a pensar em quantas vezes ficamos com raiva, perdemos nosso bom humor por pouca coisa. Até por razão nenhuma.
Pessoas como o homem do aeroporto nos demonstram que o bom da vida é mesmo dividir, cooperar.
Afinal, se pensarmos bem, estamos todos numa mesma escola, pertencemos a uma grande, numerosa e mesma família, que se chama Humanidade.
O correto deveria se viver assim, dividindo, repartindo. Ter um sorriso sempre pronto na fila de embarque do aeroporto, na sala de espera do dentista, na fila enorme do supermercado, na do coletivo...
O mundo seria melhor se todos aprendêssemos a sorrir e a dividir mais, a compartilhar mais.
A nossa preocupação deveria ser constante no sentido de mais dar do que receber.
E todos somos capazes de nos comportar assim. Basta querer. Afinal, quem de nós não deseja transformar o mundo à nossa volta?
E o mundo somente mudará quando mudarmos as nossas atitudes, nos tornando mais generosos, gentis, mais delicados.
Por esse motivo, a conhecida oração nos recorda que é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, é semeando amor que se recebe amor.
Redação do Momento Espírita, com base
no texto Biscoitos, de autoria ignorada.
Em 4.6.2026
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