Momento Espírita
Curitiba, 11 de Junho de 2026
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ícone Descobrindo a vocação

Meu pai foi, para mim, um protetor fidelíssimo, merecendo não só louvor, como gratidão imorredoura.

É assim que o cirurgião Hans Killian sintetiza o papel de seu pai, Gustavo, em sua vida.

Conta que desde tenra idade pôde fruir de maravilhosa liberdade. Podia fazer quase tudo o que lhe agradasse.

Tendo demonstrado propensão para a música, foi tomar aulas de violino aos sete anos. Quando descobriu a ciência dos pincéis, decidiu que se tornaria pintor. E os materiais da melhor qualidade lhe foram providenciados.

Mais tarde, sentiu-se atraído pela Marinha e começou a construir pequenos modelos de navios. Seu pai, de imediato, providenciou no porão da casa verdadeira oficina provida de tudo de que ele necessitasse.

Sorridente, assistiu à transformação do local do pequeno construtor de navios em viveiro de borboletas, insetos de toda espécie. E até numerosas plantas.

Diante dessas tendências, que se sucediam, os adultos opinavam a respeito da profissão que Hans deveria abraçar. Pintor, segundo seu professor de desenho.

Um bom engenheiro, conforme seu professor de Física, enquanto sua mãe o incentivava a prosseguir com seu viveiro.

Apenas seu pai se mantinha silencioso, confiante que o tempo viesse em auxílio do filho a fim de que ele se inclinasse para o que lhe deveria ser a vocação.

No entanto, foi observando a devoção desse pai à Medicina que Hans se decidiu.

Provocando verdadeira revolução, em 1898, com a concepção de um aparelho inovador, que permitia a localização e retirada de qualquer corpo estranho do pulmão, a fama do dr. Gustavo ultrapassara as fronteiras da Alemanha.

Casos considerados insolúveis lhe eram encaminhados de outros países. E, quando ele conseguiu retirar do pulmão o apito que a pequena argentina Corina engolira, comemorou em família.

Afeiçoara-se à menina e tudo fizera para lhe salvar a vida, que poderia perecer, caso o objeto não fosse retirado. Passara por dias inquietantes.

Depois do êxito do procedimento, à hora do almoço, Corina e seus pais foram à casa do dr. Gustavo. A mãe, esbelta, elegante, trouxe um ramalhete de caríssimas orquídeas, abraçou a esposa e lhe ofereceu as flores.

Depois, voltou-se para o médico, tomou-lhe as mãos e as beijou.

Deus abençoe essas mãos milagrosas! - Disse, com lágrimas lhe deslizando pelo rosto.

O pai da menina, menos efusivo, apertou afetuosamente a mão do médico.

Corina foi a última a agradecer. Fez profunda reverência e, tímida, murmurou: Muchas gracias, señor.

Foi naqueles curtos instantes que Hans sentiu crescer em si o desejo de ser médico.

Que outra profissão poderia lhe oferecer tamanhas possibilidades de auxiliar e socorrer seu semelhante?

Quando comunicou ao pai sua resolução, viu um brilho de alegria em seus olhos azuis.

Compreendeu que satisfazia a um dos mais caros desejos dele, jamais externado para não influir em sua decisão.

Era o desejo do pai vê-lo abraçar a Medicina, mas jamais opinara. Sábio, tinha a nítida compreensão de que o filho deveria descobrir sua vocação, sua paixão, seu ideal de servir.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. I, do
 livro
Sob o olhar de Deus (Memórias de um cirurgião),
de Hans Killian, ed. Flamboyant
Em 11.6.2026

 

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