Momento Espírita
Curitiba, 31 de Maio de 2026
busca   
no título  |  no texto   
ícone Uma nova partitura

De todas as dores que padecemos, enquanto astronautas da nave Terra, com certeza a mais terrível é a morte.

Essa megera surge em momentos impróprios, decepando os ramos da alegria da nossa existência. No auge de uma conquista, no comemorar uma vitória depois de anos de estudo, ela vem e arrebata o ser amado.

De um modo geral, nesses momentos, sentimos que nuvens escuras pairam sobre nossas cabeças, como aquelas que anunciam tempestades avassaladoras.

Dizemo-nos cristãos, seguidores dAquele Nazareno que provou que a morte é somente um hiato entre o agora e o logo mais do reencontro.

Debrucemo-nos sobre essa lição. Ele demonstrou que o túmulo é apenas uma porta de saída.

Não se trata de um abismo sem fim, mas do despertar de um pássaro que finalmente descobre que possui asas. Lembremos da lagarta que deixa o casulo para se transformar em esplêndida borboleta, de asas multicores.

A vida nunca cessa. A saudade dói pela ausência da presença física, daquele toque de mão, daquele abraço, daquele sorriso.

Contudo, a separação é um até breve, não um adeus eterno. As afeições não morrem. Pelo contrário, elas se tornam mais puras. Aqueles que amamos não foram tragados pelo nada. Apenas atravessaram a fronteira antes de nós.

A essência daqueles que amamos continua vibrando. Eles nos veem, nos sentem e, muitas vezes, estão ao nosso lado, amparando nossos passos quando as lágrimas nos turvam a visão.

O reencontro é uma certeza. Não se trata de um talvez, ou um se. O amor é o ímã que garante a reunião das almas.

Tornaremos a conviver, tornaremos a estar juntos, em algum momento, que pode ser logo ou mais tarde. Quando tivermos concluído nossa tarefa, quando nossa jornada findar, quando concluirmos nossos afazeres, nos reencontraremos.

Enquanto o reencontro não chega, trabalhemos na própria reforma e no auxílio ao próximo. Transformemos a dor em serviço.

A saudade é o convite para nos tornarmos pessoas melhores, para que, no dia do abraço, possamos estar na mesma sintonia de luz.

A melhor homenagem que podemos prestar aos amores que se foram é viver. Viver como se não fôssemos morrer amanhã, estudar como se fôssemos viver para sempre.

Cada passo em direção à luz é um presente que enviamos para o outro lado da vida.

O amor é a única bagagem que atravessa o túmulo e a única ponte que nos mantém conectados.

Não se trata de um convite ao desapego irresponsável do mundo, mas um chamamento para a construção de valores éticos e afetivos imperecíveis.

Assim, quando a morte bater à nossa porta, que a possamos encarar com o dever cumprido, sabendo que, se o mundo faz vencedores efêmeros, as leis divinas e a imortalidade nos fazem invencíveis.

Labutemos com esperança e vivamos para a eternidade!

Não permitamos que a tristeza paralise nossas mãos. Façamos de nosso coração um altar de gratidão, honrando quem partiu através da bondade que espalhamos aos que caminham conosco.

A vida é um hino eterno que não se cala. A morte é o silêncio necessário para que a alma aprenda a cantar em nova partitura.

Redação do Momento Espírita, com transcrição
 de frases do artigo
A desmistificação da finitude:
uma abordagem filosófica, histórica e espírita perante
 a morte, de André Henrique de Siqueira.
Em 20.6.2026

© Copyright - Momento Espírita - 2026 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998