De todas as dores que padecemos, enquanto astronautas da nave Terra, com certeza a mais terrível é a morte.
Essa megera surge em momentos impróprios, decepando os ramos da alegria da nossa existência. No auge de uma conquista, no comemorar uma vitória depois de anos de estudo, ela vem e arrebata o ser amado.
De um modo geral, nesses momentos, sentimos que nuvens escuras pairam sobre nossas cabeças, como aquelas que anunciam tempestades avassaladoras.
Dizemo-nos cristãos, seguidores dAquele Nazareno que provou que a morte é somente um hiato entre o agora e o logo mais do reencontro.
Debrucemo-nos sobre essa lição. Ele demonstrou que o túmulo é apenas uma porta de saída.
Não se trata de um abismo sem fim, mas do despertar de um pássaro que finalmente descobre que possui asas. Lembremos da lagarta que deixa o casulo para se transformar em esplêndida borboleta, de asas multicores.
A vida nunca cessa. A saudade dói pela ausência da presença física, daquele toque de mão, daquele abraço, daquele sorriso.
Contudo, a separação é um até breve, não um adeus eterno. As afeições não morrem. Pelo contrário, elas se tornam mais puras. Aqueles que amamos não foram tragados pelo nada. Apenas atravessaram a fronteira antes de nós.
A essência daqueles que amamos continua vibrando. Eles nos veem, nos sentem e, muitas vezes, estão ao nosso lado, amparando nossos passos quando as lágrimas nos turvam a visão.
O reencontro é uma certeza. Não se trata de um talvez, ou um se. O amor é o ímã que garante a reunião das almas.
Tornaremos a conviver, tornaremos a estar juntos, em algum momento, que pode ser logo ou mais tarde. Quando tivermos concluído nossa tarefa, quando nossa jornada findar, quando concluirmos nossos afazeres, nos reencontraremos.
Enquanto o reencontro não chega, trabalhemos na própria reforma e no auxílio ao próximo. Transformemos a dor em serviço.
A saudade é o convite para nos tornarmos pessoas melhores, para que, no dia do abraço, possamos estar na mesma sintonia de luz.
A melhor homenagem que podemos prestar aos amores que se foram é viver. Viver como se não fôssemos morrer amanhã, estudar como se fôssemos viver para sempre.
Cada passo em direção à luz é um presente que enviamos para o outro lado da vida.
O amor é a única bagagem que atravessa o túmulo e a única ponte que nos mantém conectados.
Não se trata de um convite ao desapego irresponsável do mundo, mas um chamamento para a construção de valores éticos e afetivos imperecíveis.
Assim, quando a morte bater à nossa porta, que a possamos encarar com o dever cumprido, sabendo que, se o mundo faz vencedores efêmeros, as leis divinas e a imortalidade nos fazem invencíveis.
Labutemos com esperança e vivamos para a eternidade!
Não permitamos que a tristeza paralise nossas mãos. Façamos de nosso coração um altar de gratidão, honrando quem partiu através da bondade que espalhamos aos que caminham conosco.
A vida é um hino eterno que não se cala. A morte é o silêncio necessário para que a alma aprenda a cantar em nova partitura.
Redação do Momento Espírita, com transcrição
de frases do artigo A desmistificação da finitude:
uma abordagem filosófica, histórica e espírita perante
a morte, de André Henrique de Siqueira.
Em 20.6.2026