Estou devendo a ti
A prática da caridade.
Horas de trato mais manso
Dias de fala serena
Semanas de escuta atenta
E alguns meses de abraço.
Estou devendo a ti
A prática da caridade.
A hora difícil de desistir do ódio
Os dias sem ensaio de desforra.
Semanas largando o que ainda guardo
E alguns meses voltando a ser livre.
Estou devendo a ti
A prática da caridade.
Aquelas horas sem sentença
Dias sem malícia em todo olhar.
Semanas compreendendo, compreendendo
E meses a mais meses de autovigiar.
Estou devendo a ti, sim
A prática da caridade.
* * *
O apóstolo Paulo estabeleceu a caridade como o amor em ação, afirmando que se não a exercesse, seria como o metal que soa ou como o sino que badala.
Jesus entende a caridade, basicamente, em três grandes práticas: benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
Em nossas reflexões diárias, aquelas realizadas ao fim do dia, vale pensar em como estamos na relação com cada uma delas.
Quanto de benevolência exercitamos hoje?
Benevolência no trato, bondade nas ações, em doação a todos e a qualquer um, desde que são nosso próximo.
E quanto de indulgência colocamos em prática? Com que olhos julgamos, avaliamos, examinamos as situações e as pessoas ao nosso redor?
Nossas lentes estão bem ajustadas? Será que estamos enxergando unicamente o mal, o pior, e nunca o bom e o melhor?
Nossas lentes ainda nos levam a julgar sumariamente, sem um mínimo de compreensão? Ou será que já estamos conseguindo ter uma pequena dose de empatia?
Por fim, quanto de perdão fomos convidados a exercer no dia de hoje?
Perdão das pequenas coisas e também das grandes, daquelas que ainda guardamos conosco e não conseguimos deixar para trás.
Quanto de ódio, raiva, sentimentos que nos deprimem, nos machucam, ainda guardamos dentro de nós porque não nos propusemos a exercitar o caminho do perdão.
Caminho, pois é uma estrada, um processo de libertação que nos permitirá sermos livres de sofrer.
Estamos mesmo devendo ao outro a prática da caridade.
Após conhecer o exemplo de Jesus, o Seu sacrifício, o Seu amor, prometemos que iríamos nos esforçar um pouco mais.
Alguns de nós, antes de voltarmos ao mundo, nos comprometemos a trilhar um caminho de redenção, buscando apagar um passado difícil.
Tenhamos certeza de que esse caminho passa, inevitavelmente, pela prática da caridade.
Será que esquecemos? Perdemos a vontade ou nos perdemos na estrada?
Ainda há tempo. Não é o Mestre que nos cobra, mas nossa consciência, nós mesmos lembrando do que traçamos de melhor para esta nossa nova encarnação.
A prática da caridade não pode deixar de estar em nossos planos, em nossos objetivos.
Diariamente, mantenhamos ligado esse sensor que identifica as oportunidades e não as desperdicemos.
Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas. A caridade em sua mais pura essência.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita com base na pt. 3, cap. XI, q. 886 de
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB; na conferência
A vida no Além, de José Raul Teixeira, realizada no Teatro Positivo,
em Curitiba, no dia 14.3.2026, disponível no @canalfep e em poema
de Andrey Cechelero.
Em 10.7.2026
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