Maria de Magdala trazia a alma tomada pelas trevas e o coração embrulhado na amargura.
A vida que levara até então não a preenchera, não havia satisfeito a sua sede de verdadeiro amor.
Ela se considerava alguém em desgraça, vencida por si mesma e pelo mundo.
No entanto, em seu primeiro encontro com Jesus, na casa de Simão Pedro, Madalena é convidada a analisar sua existência e a si própria sob uma nova perspectiva.
O Mestre a saúda, chama-a pelo nome e afirma: Eu sou o Bom Pastor. Conheço minhas ovelhas uma a uma.
Ela fica tomada de espanto ao perceber que Jesus a chama pelo seu nome. Ele a conhecia, foi o que deduziu e então se sentiu confortável para lhe abrir a alma, relatando seu desânimo da vida.
A resposta de Jesus é brilhante:
Maria, a mim não interessa o que tens sido, mas me importa o que desejas fazer de ti, de agora em diante. Estás chegando ao poço da vida eterna.
Não olhes para o passado. Não te recordes da noite quando tens o dia, nem te detenhas a contemplar o pântano, quando podes ver a seara de trigo adornada de luz.
Esse foi o início do soerguimento de Maria de Magdala.
* * *
Essa perspectiva amorosa e lúcida de Jesus, no fundo, é também a proposta da lei maior do nosso Criador.
Estamos todos na Terra, em encarnações que nos convidam a provas e expiações. Ajustes com a lei.
Cada vez que retornamos temos a bênção do esquecimento do passado, justamente para que nada afete nosso ânimo, nosso espírito de renovação.
O alerta a Madalena serve para todos nós.
Não olhar para o passado. Não olhar para a noite que se foi.
Se conhecemos a mensagem cristã, se já temos em nossas mãos a proposta do bem, do amor, temos o dia, temos a seara de trigo. Dessa maneira, proponhamo-nos a arar!
Olhar em demasia para trás pode nos fazer desanimar, pode nos mergulhar novamente no eu antigo, que precisamos deixar para trás.
Logicamente, o que vivemos, o que fizemos, a nossa história nos influencia diariamente. Porém, deixemos que isso aconteça de forma natural.
Conhecer a si mesmo é uma coisa. Mergulhar no homem velho para mais uma vez acomodar-se nele é bem diferente.
Esse poço de vida eterna que Jesus comenta é a lucidez que já conseguimos ter com as lições dos Espíritos, com os ensinos do Cristo trazidos de forma tão profunda e definitiva.
O amor em todas as suas dimensões, colocado em prática em nossos dias, a todo instante.
A imortalidade da alma, que nos oferece a visão da vida verdadeira, da vida maior, que extrapola a material.
As muitas encarnações, os capítulos que estão por vir, a continuidade do que estamos construindo.
O Pai Maior como a Inteligência Suprema, Causa de tudo, regendo o cosmos com leis perfeitas, cuidando de cada detalhe.
Eis o nosso poço de vida eterna, eis o nosso convite, o nosso encontro com Jesus na casa de Simão Pedro.
Lembremos da recomendação do Mestre:
Não te recordes da noite, quando tens o dia.
Redação do Momento Espírita, com
base no cap. 3 da obra A estrela verde, de
Divaldo Pereira Franco e Délcio Carvalho,
ed. LEAL.
Em 25.7.2026
Escute o áudio deste texto