A brisa que toca a folhagem traz consigo uma melodia que não se apaga com o tempo. É a sinfonia da vida, composta de notas alegres, de pausas dramáticas, acordes tensos e, acima de tudo, de uma comovente capacidade de recomeçar.
Quando olhamos para a jornada humana na Terra, muitas vezes nos deparamos com o peso dos anos como se ele fosse um fardo inevitável, um convite ao recolhimento e à inércia.
No entanto, o Criador, em sua infinita sabedoria, nos envia faróis encarnados para demonstrar que o Espírito não envelhece.
Lembramos de duas almas luminosas que decidiram fazer de suas existências um hino de resistência e beleza: João Carlos Martins e Issac Karabtchevsky.
Dois gigantes da nossa música, dois operários da arte que transformaram o tempo em um aliado da transcendência.
Isaac Karabtchevsky, em sua nona década de existência, ergue a batuta com a mesma energia vibrante de sua juventude.
Frente à orquestra, seus gestos desafiam as leis da matéria. Ele não apenas rege músicos. Ele desperta sentimentos, governa energias e prova que a mente, quando sintonizada com o belo mantém o corpo físico vigoroso e útil.
Ao seu lado, na galeria dos imortais do cotidiano, cruzamos com a trajetória hercúlea de João Carlos Martins. Um homem cuja biografia se confunde com o próprio conceito de superação.
Octogenário, ele carrega a marca de trinta e uma cirurgias. Trinta e uma vezes o corpo pediu trégua. Trinta e uma vezes o Espírito disse: Caminha.
Privado do movimento pleno das mãos que encantaram o mundo ao piano, ele não silenciou. Buscou na tecnologia das luvas biônicas, na regência e na força da alma o caminho para continuar tocando o coração das gentes.
Ele sintetiza sua jornada com a convicção dos que conhecem as profundezas da dor: A música vence e supera qualquer coisa.
Essa frase nos remete aos ensinamentos dos emissários celestes quando abordam, magistralmente, a lei do trabalho. É através do trabalho que o Espírito desenvolve sua inteligência, expia suas faltas e coopera com a obra do Universo.
A vida desses dois maestros nos mostra que o trabalho, quando realizado com denodo e amor, imortaliza e cura. João Carlos e Issac não trabalham por obrigação. Trabalham por missão.
Eles compreenderam que a atividade intelectual, artística e nobre é o combustível que mantém a chama do Espírito radiante, refletindo saúde e vitalidade na indumentária carnal.
Eles superaram as limitações físicas, as dores crônicas e o preconceito da idade com o escudo do trabalho incessante. Mostraram que não existe aposentadoria para a alma.
Enquanto houver um sopro de vida, haverá uma nota a ser afinada, um irmão a ser consolado pela beleza de uma melodia.
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Se a dor bater à nossa porta, se o peso dos anos parecer excessivo, lembremo-nos desses exemplos. E sejamos maestros das nossas vidas, regendo nossas dificuldades com a batuta da fé e o compasso do trabalho edificante.
Afinal, no concerto do Universo, a partitura de Deus prevê sempre a vitória do Espírito sobre a matéria.
Redação do Momento Espírita
Em 5.8.2026