Momento Espírita
Curitiba, 29 de Agosto de 2026
busca   
no título  |  no texto   
ícone Quando despertaremos?

Infelizmente, ainda não sabemos valorizar as preciosas companhias de nossa jornada terrena. Caminhamos, muitas vezes, de olhos vendados para a beleza e a profundidade das almas que compartilham conosco a poeira das estradas do mundo.

Somente a distância, sob o filtro do tempo e da saudade, é que nos damos conta da real grandeza daqueles que estiveram ao nosso lado, servindo em silêncio, com abnegação.

A história humana é um testemunho vivo dessa nossa persistente miopia espiritual. Antonio Vivaldi, cuja música hoje ecoa como um hino à própria criação e à sensibilidade, foi enterrado numa cova simples, esquecido pelo mundo que tanto embelezou.

Johann Sebastian Bach, cujas composições tocam as franjas do divino, era visto pelos seus contemporâneos muito mais como um organista virtuoso e professor, e menos como o compositor genial e revolucionário que conhecemos.

O gênio e a inovação de Mozart incomodavam tanto pela grandiosidade de suas obras que a inveja e o orgulho dos homens trataram de isolá-lo e afastá-lo do convívio social.

No campo do conhecimento e das ideias, repetimos o mesmo padrão de incompreensão. Allan Kardec foi impiedosamente perseguido e ridicularizado pelos intelectuais de seu tempo, simplesmente por descortinar as realidades imortais do Espírito.

Hoje, na era da tecnologia, deslumbramo-nos com as respostas sofisticadas das inteligências artificiais.

Mas deliberadamente esquecemos o nome de Alan Turing, o homem que, na solidão de seu pioneirismo, definiu o padrão de comportamento dessas mentes digitais, pagando um preço altíssimo em sua vida pessoal por sua incompreendida genialidade.

Exaltamos o fruto, mas ignoramos o suor anônimo de quem preparou o alicerce.

Assim ocorre no círculo de nossas vidas. Quantas vezes a dedicação no lar, no trabalho ou na tarefa voluntária é recebida com a indiferença daqueles que não sabem ouvir, ou com o silêncio dos que não aprenderam a ver?

Quantas vezes quem serve persistente e dedicado passa despercebido, desconsiderado...

Nessas horas, ergue-se um exemplo grandioso. O do Mestre de Nazaré, que estendeu o amor e a verdade, a paz e a luz, levantou enfermos, devolveu movimentos a membros paralisados.

Contudo, lhe foi conferida a cruz entre dois malfeitores. Era o Príncipe da Paz e foi esmagado pela guerra dos interesses inferiores. Era o Justo e padeceu a suprema injustiça.

Foi vilipendiado numa tarde. Porém, transformou a própria dor em glória divina. Pendera-lhe a fronte, empastada de sangue, no madeiro, numa sexta-feira de tristeza.

Ressurgiu à luz do sol, ao hálito perfumado de um jardim, inaugurando um domingo radiante.

Isso nos afirma que todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, e continuam a servir, descobrem o trilho bendito da eterna ressurreição.

A nós, humanidade, cabe uma indagação contundente: Quando despertaremos para reconhecer os heróis silenciosos que ombreiam conosco?

Até quando continuaremos a desconsiderar os que estabelecem o bem, a harmonia e a beleza no mundo?

Redação do Momento Espírita, com base no
 cap. 46 do livro
Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel,
 psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 28.8.2026

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2026 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998