Momento Espírita
Curitiba, 05 de Setembro de 2026
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ícone Do mal-estar à felicidade

A busca pela felicidade ainda é um dos temas palpitantes da civilização atual.

No entanto, o que mais vemos são rostos cansados e corações insatisfeitos.

O criador da psicanálise, Sigmund Freud, ao analisar a sociedade, constatou justamente isso, descrevendo um profundo mal-estar na civilização.

Segundo ele, esse mal-estar nasce do fato de que o desejo humano está sempre exigindo mais, mas precisa ser reprimido pelas regras sociais para que possamos viver em grupo.

Trocamos uma parcela da nossa liberdade e dos nossos instintos por uma maior sensação de segurança.

Assim, vivemos numa eterna insatisfação, pois, quando conquistamos um objetivo, ele já não basta e queremos outro.

Para fugir desse sofrimento constante, buscamos paliativos: o isolamento, a intoxicação, as ilusões da arte ou o frenético prazer imediato.

Essas medidas até podem trazer um alívio temporário, mas nunca preenchem o vazio e a inquietação da nossa alma.

Então, será que estamos condenados ao eterno mal-estar e a uma vida que se resume a uma sucessão de frustrações?

A Doutrina Espírita nos traz uma visão luminosa e consoladora a respeito.

Ela nos diz que a felicidade completa não é deste mundo, pois a Terra é apenas uma estação temporária.

Assim, coloca um primeiro ponto fundamental: completamente felizes não poderemos ser aqui.

O segundo ponto é que a felicidade é uma construção da alma. Ela vai sendo edificada ao longo do tempo.

O terceiro ponto é que podemos viver um certo nível de felicidade aqui. Uma felicidade relativa, mas muito motivadora quando encontrada nos lugares certos.

O nosso grande erro, aquilo que gera o nosso mal-estar íntimo, é procurar a felicidade no lugar errado, confundindo a paz com a satisfação dos prazeres materiais e com o acúmulo de bens transitórios.

Esquecemos, como nos alertou Jesus, de que a traça e a ferrugem consomem os tesouros da Terra, e que o supérfluo apenas nos escraviza e traz mais tormentos.

Quando indagados, os benfeitores espirituais, numa simplicidade ímpar, informaram que a felicidade é possível na Terra:

Para a vida material, a felicidade é a posse do necessário. Para a vida moral, é a consciência tranquila e a fé no futuro.

Vejamos como isso muda tudo, pois o mal-estar desaparece quando deixamos de ver no supérfluo aquilo que nos traz felicidade e passamos a valorizar o que é imortal.

A consciência tranquila é o resultado do dever cumprido, da prática da caridade, do amor ao próximo e do bem que espalhamos ao nosso redor.

Quem tem a consciência em paz não é assombrado pelas insônias da inveja ou pelas agonias geradas pelo amor imoderado à riqueza.

A fé no futuro nos liberta do medo, pois nos mostra que essa vida é apenas um breve capítulo de uma jornada e que cada dor tem um propósito educativo.

Que tal pensarmos melhor sobre isso? Que tal fazermos escolhas inspiradas nessas certezas e não na satisfação de prazeres?

A chave é simplificar as necessidades materiais, acalmar a consciência e olhar para o amanhã com a confiança no bem.

Redação do Momento Espírita, com base no vídeo Mal-estar que
 Freud descreve,
de Luiz Felipe Pondé, programa Linhas Cruzadas,
 TV Cultura, e no livro
O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud,
 ed. Companhia das Letras.

Em 5.9.2026

 

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