Momento Espírita
Curitiba, 15 de Setembro de 2026
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ícone Como Jesus nos vê

Por vezes, ao pousarmos os olhos sobre nós mesmos ou sobre o próximo, permitimos que uma severidade implacável embace a nossa visão.

Julgamos com o imediatismo da carne, medindo a eternidade pelo tamanho das imperfeições do hoje. Será que o bom Mestre de Nazaré olha dessa forma a humanidade, ainda tão ignorante, com tantos defeitos?

Ele, o puro por excelência, não se serve das lentes frias do julgamento. Onde o mundo aponta criaturas frágeis e caídas, o Seu olhar identifica seres que lhe foram confiados pela Divindade para a correta condução.

Onde nosso orgulho enxerga apenas ignorância, Jesus acolhe corações sedentos de rumo, almas que tateiam na penumbra ansiando por se libertar da lama que as prende ao chão.

Para ele, nosso Irmão Maior, ainda guardamos a fragilidade de crianças imaturas. Nossos passos trôpegos e rebeldias passageiras clamam pelo amparo constante e por Seu terno desvelo.

Essa delicadeza compassiva moldou cada passo de Sua trajetória terrena.

Enquanto os homens viam na manjedoura apenas um canto rústico e esquecido para os animais, Jesus apresentou a própria presença aninhada na simplicidade da natureza. Transformou a palha em um poema de excelsa beleza.

O Seu olhar sempre enxergou o que estava oculto nas profundezas da alma.

Para a mulher de Magdala, cruelmente rotulada pela sociedade como sem valor e prisioneira de sombras espirituais, estendeu Ele um olhar que rasgou as aparências.

Compreendeu a agonia que sangrava naquele peito feminino, e, envolvendo-a em amor sublime, transformou-a na primeira e radiante mensageira da ressurreição.

Quando os olhos do mundo viam em Simão Pedro apenas o pescador rude, Jesus divisou o reflexo de Deus pulsando em seu espírito atribulado. Lapidou aquele homem até torná-lo a rocha inabalável da fé cristã através dos séculos.

E, enquanto o mundo via apenas a névoa espessa da traição, a ternura do olhar do Mestre não se alterou. Enquanto condenamos Judas como um negociante de intenções sombrias, Ele viu a alma de um companheiro invigilante em desalinho.

Estendeu-lhe braços amorosos e o buscou, após a sua dolorosa deserção, convidando-o ao ressarcimento de suas falhas.

Diante de Saulo de Tarso, o perseguidor feroz e orgulhoso, Cristo foi ao seu encontro na estrada de Damasco para lembrá-lo de sua nobre missão: tornar-se embaixador da Boa Nova.

*   *   *

Inspirados pelo rastro luminoso de Jesus, aprendamos a perceber que, mesmo no fundo do pântano denso e escuro, nascem os lírios alvos e perfumados para exalar, triunfantes, a glória de Deus.

Aprendamos que a maldade e o erro são apenas espinheiros e lamas provisórias que revestem, por fora, o solo sagrado da alma.

Somos filhos da luz, criados para mostrar a sublime luz que em nós se aninha. Floresçamos em luz.

Aprendamos a nos servir dos olhos de Jesus para olhar a cada um dos nossos irmãos e a nós mesmos.

Encontramo-nos aqui para aprender, servir, amparar e amar. Colocados lado a lado, demo-nos as mãos e marchemos para o Alto, conquistando virtudes, tornando-nos, a cada dia, luz mais brilhante.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro
 
Religião dos Espíritos, pelo Espírito Emmanuel,
 psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 15.9.2026

 

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