Quando olhamos para o mundo, é comum encontrarmos pessoas que culpam o dinheiro por grande parte dos males que nos atormentam.
É o homem colocando em algo externo, num mero instrumento de troca, a responsabilidade por suas mazelas.
O dinheiro, em si, é um agente valioso e neutro que pede direção e emprego nas nossas mãos.
Ele é comparável ao sangue no mundo orgânico: circulando, garante a vida. Parando, acelera a morte.
O pão extingue a fome, mas é o dinheiro que ajuda a produzi-lo.
A veste agasalha o corpo, mas é ele que auxilia a tecê-la.
O remédio socorre, mas é a moeda que incentiva o seu preparo.
A caridade suprime a penúria, mas é o dinheiro que lhe assegura as manifestações.
Por essas razões, somos convidados a refletir sobre o seu emprego.
Jesus nos alerta que não podemos servir a Deus e a Mamon, pois o amor imoderado ao ouro nos desvia do aperfeiçoamento espiritual.
O homem é apenas o depositário dos bens que Deus lhe pôs nas mãos, e terá de prestar contas do uso que lhes dará.
O mau uso consiste em aplicar a riqueza exclusivamente na satisfação pessoal, alimentando excessivamente a vaidade e o orgulho.
O bom uso é aquele que resulta em um bem para o próximo.
Vejamos que diferença aparentemente sutil, mas que determina tudo. Ela separa a utilidade da extravagância. Distingue o que é aceitável do que se torna absurdo.
Muitos acreditam que a caridade se resume a espalhar pelo caminho o supérfluo de uma existência dourada.
Porém, a verdadeira caridade vai além, pois ela é plena de amor e procura a desgraça para erguê-la, sem humilhar.
O Evangelho nos aconselha a ir às origens do mal.
Aliviar primeiro, informar-se depois, verificando se o trabalho, os conselhos e a afeição não serão mais eficazes do que a esmola.
É importante lembrar que prevenir a miséria é um dever tão imperioso e meritório quanto aliviá-la.
Essa é a missão das fortunas: gerar trabalhos úteis que desenvolvam a inteligência e enalteçam a dignidade do homem.
O trabalho dignifica, permitindo que o indivíduo diga que ganha o pão com que haverá de se alimentar e aos seus, enquanto a esmola, muitas vezes, humilha e degrada.
Por isso, sempre que possível, convertamos a caridade em salário, para que quem a receba não se sinta envergonhado.
Além dos bens materiais, lembremos que a riqueza da inteligência também deve ser partilhada.
Derramemos em torno de nós os tesouros da instrução e do amor. Compartilhemos nosso saber, doemos nosso tempo e estaremos trilhando a seara do bem.
A vida é breve.
Dedicar-se apenas ao bem-estar material, negligenciando a alma, é uma ilusão perigosa e escravizante.
O corpo morre, mas o Espírito vive e somente ele importa para a eternidade.
Assim, promovamos passagem ao dinheiro para o reino do bem.
Atuemos e nos sirvamos dele a benefício de quantos partilham a caminhada conosco.
Dessa maneira, estaremos em conjunção incessante com a Providência Divina e transformaremos a riqueza em fonte viva do eterno bem.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 49,
do Livro da esperança, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed.
CEC e no cap. XVI, itens 11 a 13 de
O Evangelho segundo o Espiritismo,
de Allan Kardec.
Em 16.9.2026
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