Pedra é algo que nos remete, geralmente, ao pensamento de algo que incomoda. Pensamos na rigidez, na frieza, naquilo que não tem vida e que nos machuca ou nos impede de avançar.
Quando desejamos expressar que algo está criando uma dificuldade para alcançar um objetivo, dizemos que há uma pedra no caminho.
No entanto, Jesus, o maior intérprete de almas que já pisou na Terra, olhava para as coisas de um jeito diferente. Para Ele, uma pedra não era apenas um obstáculo. Podia ser um alicerce.
Onde, habitualmente, vemos algo duro e inflexível, o Mestre via firmeza, base segura, fundação para se construir uma casa que os ventos não abalassem, nem a tempestade viesse a derrubar.
E foi usando essa exata figura que Ele olhou para um pescador impulsivo, cheio de falhas, e o chamou de rocha viva da fé.
Por que exatamente Pedro, entre os doze?
Se nós fôssemos escolher alguém para ser a rocha de um projeto mundial, talvez buscássemos a pessoa mais perfeita, inabalável e culta.
Jesus escolheu Simão Pedro. Um homem que tinha medo, que afundou na água quando duvidou, que cortou a orelha de um soldado num ímpeto de raiva e que, na hora mais difícil, O negou três vezes.
Por que, então, chamá-lo de rocha? Porque Jesus não estava olhando para o Pedro daquele momento. Ele olhava para o potencial daquele Espírito.
Uma pedra, antes de ser o alicerce de um templo, de um edifício, passa por pancadas, é lapidada, perde as arestas. As dores e os erros de Pedro foram o cinzel que tirou o excesso de orgulho e impulsividade, revelando a rocha forte que havia por baixo.
Prestemos atenção ao adjetivo que Jesus confere à rocha: viva. Uma rocha morta é a rigidez, a dureza das regras sem amor.
Uma rocha viva, por outro lado, é firme nas convicções, mas pulsa de compaixão. Ela dá sustentação aos outros. Sabe se adaptar para acolher.
Pedro se tornou essa rocha viva. Depois da partida de Jesus, foi ele quem sustentou os primeiros cristãos, apaziguou contendas e deu a vida pela mensagem.
* * *
A história de Pedro é a nossa história. Quantas vezes nós também prometemos mundos e fundos a Jesus em nossas orações, e logo depois tropeçamos, negamos nossos valores e afundamos no mar das próprias dúvidas?
Quantas vezes afirmamos que O seguiríamos em todos os momentos e, no entanto, ante percalços maiores, O negamos? Ou seja, nos sentimos fracos, esquecidos de que Ele segue conosco.
Mesmo assim, o Mestre continua nos chamando para sermos pedras de construção. Ele confia na nossa capacidade de transformação.
Toda vez que escolhermos perdoar em vez de revidar, estaremos sendo rocha viva. Toda vez que mantivermos a esperança quando tudo der errado, estaremos demonstrando a nossa firmeza.
Que possamos nos tornar rocha viva, alicerce seguro e amoroso na vida daqueles que caminham ao nosso lado.
Que possamos ser considerados ditosos por trabalharmos juntos e unirmos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra que nos foi dada a realizar.
Redação do Momento Espírita, com base no
cap. 124 do livro Caminho, Verdade e Vida,
pelo Espírito Emmanuel, psicografia de
Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 18.9.2026
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