A Copa do Mundo nos permitiu ver cenas interessantes. Assistimos a equipes participando por primeira vez de uma copa mundial e dar o máximo. Assistimos a técnicos irem às lágrimas ante o bom desempenho dos seus jogadores.
Vimos as arquibancadas explodirem em manifestações de alegria.
Porém, foi na Times Square, em Nova York, com suas luzes vibrantes e telões imensos, que pudemos assistir ao verdadeiro espelho da alma de uma nação.
Em meio à multidão, um bloco rubro de noruegueses tomou o espaço. Não com desordem, não com o caos que tantas vezes acompanha as grandes massas, mas com o peso da história e a leveza inconfundível da civilidade.
Sob a cadência de um tambor compassado, centenas deles se agachavam em uníssono. O movimento era um só: braços esticados para a frente, sendo recolhidos com força em direção ao peito.
O grito forte que ecoava de suas gargantas era Ro!, o antigo comando ancestral para remar.
Havia naquela coreografia espontânea uma sincronia belíssima, quase reverencial. Era a demonstração viva de que a verdadeira força de um povo não reside no barulho desordenado, mas na sua capacidade de agir como um corpo único, coordenado, consciente de si e do respeito ao olhar do outro.
Foi uma profunda aula de educação, de pertencimento e de propósito.
* * *
O que faz com que centenas de pessoas compreendam que, para o barco avançar, todos precisam puxar o remo na mesma direção? A resposta repousa em uma única e poderosa palavra: educação.
Quando uma nação decide, com seriedade, investir na educação dos seus filhos, ela não está apenas transmitindo conteúdos acadêmicos ou preparando mão de obra. Ela está lapidando o espírito humano.
Está forjando o caráter de seus futuros construtores. Está ensinando que o espaço público é sagrado, que o direito de um indivíduo se harmoniza com o dever para com o próximo, e que o sucesso de toda a comunidade depende do esforço conjunto.
Um povo educado compreende que a pátria não é um mero pedaço de terra delimitado por fronteiras geográficas.
É um barco imenso que abriga a todos. Se uns remam contra, ou se recusam a remar por indiferença, o barco gira em falso e a tempestade ameaça a todos.
Quando a instrução do intelecto se alia à nobreza dos sentimentos, formam-se cidadãos verdadeiros.
Cidadãos que não esperam de braços cruzados que o país resolva todas as suas dores, mas que se levantam com a vontade férrea de trabalhar juntos.
Que sentem orgulho de fazer o seu melhor, não para a própria glória, mas para deixar um legado de luz, de ordem e de progresso para as gerações que virão.
A verdadeira riqueza de um povo caminha por suas ruas, senta-se nos bancos escolares e revela-se na civilidade de seus gestos cotidianos.
Pensemos nisso.
Que possamos, em nossos lares e em nossas escolas, nas pequenas e grandes atitudes de todos os dias, aprender a remar juntos.
Assim, embalados pela cadência do bem comum, faremos com que o barco da nossa nação navegue, seguro, rumo ao porto de um futuro mais justo, próspero e feliz.
Redação do Momento Espírita, com base
no artigo O eco de duas margens de
Markus Gabriel em 6.7.2026.
Em 25.9.2026
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