Momento Espírita
Curitiba, 26 de Setembro de 2026
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ícone A fonte e o copo

Conta-se que um viajante atravessava uma região árida, muito quente, quando encontrou uma pequena fonte de água cristalina, um verdadeiro oásis no deserto escaldante.

Sedento, aproximou-se para beber. Observou intrigado que ao lado da fonte havia vários copos. Alguns eram de cristal, outros de prata, de ouro. Vários eram simples recipientes de barro, enquanto outros se mostravam desgastados pelo tempo.

Enquanto saciava sua sede, pôde assistir a cenas curiosas. Havia pessoas que chegavam até a fonte e, em vez de satisfazer a sede, punham-se a discutir qual era o melhor copo.

Algumas exaltavam o brilho do cristal. Outras admiravam a beleza da prata. Havia quem desprezasse os copos mais simples.

E, ocupados em comparar recipientes, muitos chegavam a se esquecer de se servir da água preciosa.

*   *   *

Essa narrativa nos convida a uma reflexão sobre a vida. Com frequência, valorizamos excessivamente os recipientes e nos esquecemos dos seus conteúdos.

Admiramos títulos, posições sociais, recursos materiais, aparências e reconhecimento. Julgamos as pessoas pelas vestes que usam, pelos cargos que ocupam ou pelas conquistas que exibem. Sem perceber, transformamos tudo que nos é exterior no centro de nossa atenção.

Entretanto, o que sustenta a vida não é o copo. É a água.

Da mesma forma, o que sustenta o Espírito não são as aparências, mas os valores que cultivamos no íntimo.

O amor, a honestidade, a bondade, a capacidade de servir e a disposição para o bem são as verdadeiras riquezas da alma.

O Mestre da Boa Nova evidenciou essa verdade de maneira profunda ao dialogar com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó.

Naquela ocasião, afirmou: Aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.

O Mestre não falava da água que sacia o corpo, mas da renovação interior que alimenta o Espírito. Ele nos convidava a buscar algo mais profundo do que as satisfações passageiras do mundo.

Por vezes, acreditamos que seremos felizes quando conquistarmos determinado cargo, quando alcançarmos reconhecimento ou quando obtivermos mais recursos.

De fato, tudo isso pode ser útil e legítimo. O problema surge quando passamos a confundir os recipientes com a fonte.

Há pessoas que possuem copos magníficos e continuam sedentas. Outras dispõem de recipientes simples, mas carregam uma serenidade que nada consegue abalar. A diferença está naquilo que alimenta suas almas.

Importante recordarmos que estamos na Terra para desenvolver virtudes e crescer espiritualmente. Ao final da jornada, não levaremos os copos que acumulamos pelo caminho.

Permanecerá conosco apenas a água que conseguimos transformar em amor, aprendizado e serviço ao próximo.

Talvez seja tempo de olhar menos para os recipientes e voltar nossa atenção para a fonte.

Afinal, a verdadeira felicidade não está naquilo que mostramos ao mundo, mas naquilo que permitimos que Deus faça brotar dentro de nós.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com transcrição
 do
Evangelho de João, cap.4, vers. 14.
Em 26.9.2026

 

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