Há dores que não deixam marcas visíveis na pele, mas que ferem profundamente a alma. O que fazer quando sangra o coração, pela cortante indiferença?
Quando sintamos ameaçadas nossas forças, lembremos dos heróis da humanidade. Aqueles que travam as verdadeiras batalhas no bem possuem um código de honra inquebrantável: toda pessoa é importante.
Nos resgates heroicos, nos cenários onde a vida corre perigo, o verdadeiro soldado sabe que não se deixa para trás um companheiro ferido.
Se os homens de bem na Terra já compreendem essa fraternidade, o que dirá o Governador de nossas almas?
Busquemos inspiração no Mestre de Nazaré. Jesus, o maior líder e psicólogo que a Terra já conheceu, deixou-nos a diretriz insuperável:
Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.
Ele amou sem exclusões, sem cancelamentos. Jamais relegou alguém ao abandono.
Recordemos Judas Iscariotes. O discípulo invigilante, iludido pelas sombras, entregou o Mestre.
Contudo, tão logo Jesus despertou de Sua agonia no madeiro, desceu às zonas de profundo sofrimento no mundo invisível para buscar o amigo transviado.
Envolveu-o em compaixão, amparando-o em seu desespero e propôs-lhe a bendita reabilitação pelo seu engano, através de novas oportunidades de serviço.
Pensemos em Simão Pedro. O pescador, amedrontado, negou Jesus três vezes. Mas o Cristo não o ignorou.
Ao retornar, vitorioso sobre a morte, o procurou. Não cobrou, não humilhou. Apenas perguntou sobre seu amor e reafirmou sua confiança: Apascenta as minhas ovelhas.
Pedro, doravante, seria o valoroso condutor daquelas almas, a rocha viva na qual se apoiaria a Boa Nova.
Alarguemos ainda mais a nossa reflexão, buscando na figura emblemática de Saulo de Tarso o ápice dessa divina pedagogia. Saulo era o algoz, o perseguidor implacável dos primeiros seguidores do Cristo.
Respirando ameaças, arrastava homens e mulheres para as prisões, semeando o pranto e o terror. Aos olhos humanos, ele seria o candidato perfeito para ser banido e definitivamente excluído. Mas, como agiu o Amor que não desampara?
Em um dia radioso, nas estradas poeirentas que levavam a Damasco, o Cristo o buscou. Nimbado de luz ofuscante, Jesus não enviou emissários. Foi pessoalmente ao encontro daquele coração equivocado.
Ao envolvê-lo em Sua claridade magnânima, o Mestre resgatou Saulo das trevas do próprio orgulho, reconduzindo-o para a grande e sublime tarefa para a qual ele, de fato, renascera: espalhar o Evangelho pelo mundo.
Aquele que transformou o perseguidor em apóstolo é o mesmo que hoje acolhe as lágrimas de qualquer coração ferido garantindo que, no reino de Deus, todo trabalhador é precioso, por menor seja a sua tarefa, na grandiosidade do mundo.
Onde os homens erguem muros de silêncio, a Providência Divina constrói pontes de misericórdia.
Continuemos oferecendo o nosso melhor. Ninguém que caminhe fazendo o bem tem retirado seu nome do livro dos céus, que registra os benfeitores anônimos a fim de que, quando alguém precise de apoio, seja acionado para o socorro que se faz necessário.
Redação do Momento Espírita
Em 12.10.2026
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