Ao analisar a guerra, os benfeitores espirituais estabelecem, respondendo às indagações humanas, que o homem é culpado das crueldades que nela cometa, sendo-lhe também levado em conta o sentimento de humanidade com que proceda.
Estipulam que a crueldade é o instinto de destruição no que tem de pior, porquanto, se, algumas vezes, a destruição constitui uma necessidade, com a crueldade jamais se dá o mesmo. Ela resulta sempre de uma natureza má.
Quando pensamos em crueldade, é comum que a nossa mente viaje, quase de imediato, para os cenários desoladores dos grandes campos de batalha.
Imaginamos as bombas, a crueldade física imposta ao semelhante sob o pretexto de disputas políticas e de conquistas territoriais.
Esquecemos que existem outros campos de batalha, silenciosos e invisíveis. Eles se encontram no recôndito de nossos lares, nos corredores dos nossos ambientes de trabalho e nas ruas por onde transitamos.
Nesses espaços, uma nuance da crueldade se veste de roupagens extremamente sutis, porém de uma letalidade devastadora para a alma imortal.
Ela dilacera os tecidos do Espírito, quando matamos o ideal sagrado que floresce no peito do nosso irmão.
Tornamo-nos cruéis quando desejamos reduzir o outro a mais absoluta insignificância, roubando-lhe a esperança e apagando o brilho dos olhos sonhadores.
Agimos cruelmente quando enfatizamos a alguém, com a lâmina fria da nossa indiferença, que ele não é importante. Quando as nossas atitudes demonstram cabalmente que o seu esforço diário, as suas lutas invisíveis e a sua própria existência não possuem qualquer significado.
Decretamos, no tribunal do nosso egoísmo, que aquela vida não tem nenhum valor.
É de crueldade dolorosa responder com distanciamento e frieza às indagações de quem nos procura em busca de um norte, de uma orientação ou de um mínimo de atenção.
Deixar alguém falando sozinho, relegá-lo ao vazio de um aposento ou à invisibilidade social, é expressar-lhe todo o seu desvalor.
O silêncio, quando utilizado como arma de punição ou de desprezo, é um dos mais perversos algozes da humanidade. Esse silêncio gélido e calculado tem o terrível condão de destruir a vontade de servir do nosso semelhante, não importa onde ele esteja inserido.
Ao negarmos reconhecimento, um sorriso ou a mais simples das respostas, nós o asfixiamos emocionalmente.
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Quantos corações caminham ao nosso lado, arrastando-se nesses campos de batalha diários, feridos pela nossa brutal indiferença? Quantos ideais nobres foram precocemente sepultados na vala comum do desprezo?
Reflitamos, com honestidade e brandura, sobre as armas invisíveis que temos empunhado em nossas relações afetivas e sociais.
O Cristo, nosso Modelo e Guia, nunca foi indiferente a ninguém. Para Ele, não havia dor insignificante nem criatura humana invisível.
Que possamos desarmar os nossos corações. Que façamos de nossa presença um oásis de acolhimento luminoso, lembrando que a maior e mais bela vitória que podemos conquistar é o resgate da dignidade do outro através da força inesgotável do amor.
Redação do Momento espírita, com base
em O Livro dos Espíritos, pt. 3, cap. VI,
q. 749 e 752, ed. FEB.
Em 13.10.2026