Numa sessão de terapia o paciente confessa sua incapacidade de chorar.
Ele associa o choro à fraqueza. Tem medo de se mostrar frágil diante das pessoas.
A resposta da terapeuta é de uma doçura extraordinária, lembrando-o de que todos somos vulneráveis e que essa vulnerabilidade é transformadora.
Quando choramos, é como se a nossa emoção abraçasse a do outro, tornando-nos mais fortes porque, no encontro dessas águas, nos transformamos em oceano.
O choro é o que hidrata a alma, mostrando que somos fortes o suficiente para olhar aquilo que nos toca, reconhecer o sentimento e perceber que o que mexe conosco nos mistura com o melhor de nós mesmos.
Isso nos fala um pouco sobre o ego iludido, essa tendência humana de usar máscaras sociais para esconder conflitos internos e aparentar uma felicidade que não corresponde à nossa verdade.
Construímos uma fachada de bem-estar com bases muito instáveis, e quando essa estrutura desmorona, o resultado são angústias reprimidas e uma agressividade que transferimos para os outros.
Mascaramos nossas inseguranças fiscalizando rigidamente a conduta alheia ou racionalizando demais os nossos erros. Esse comportamento cobra um preço altíssimo da nossa saúde.
Como adverte um benfeitor espiritual: A saúde procede da harmonia mental, orgânica e do ajustamento social.
Constituído pela energia do Espírito, qualquer distonia que nos perturbe abre caminho para enfermidades no corpo físico.
Escravos da mente, transitamos do cárcere à liberdade conforme direcionamos nossas energias.
A insegurança gera medo e ansiedade, que, muitas vezes, confundimos com as ambições do ego.
A angústia cultivada é semelhante a uma espessa carga tóxica que aspiramos lentamente, envenenando o coração com tristeza injustificável.
O rancor acumulado vira um verdadeiro entulho psíquico que causa profundos danos emocionais.
A vida impõe a necessidade de uma catarse libertadora para eliminar as sequelas do insucesso e limpar a nossa mente. O choro genuíno é essa catarse natural que hidrata a alma e nos purifica por dentro.
Se desejamos conquistar o equilíbrio real, precisamos ter a coragem de abandonar a postura de juiz da vida alheia e deixar cair as nossas próprias defesas.
Só nos sentimos verdadeiramente bem ao lado de pessoas que nos conhecem de fato, o que exige a coragem de nos permitirmos ser vistos com nossas fragilidades, erros e imperfeições.
Portanto, nos permitamos retirar as máscaras e dobrar as armaduras do orgulho.
Choremos sem medo quando a nossa emoção for tocada. Choremos de alegria quando nos sentirmos assim. Choremos quando uma lembrança significativa tocar os sentimentos. Choremos de tristeza e nos permitamos momentos a sós com nossas lágrimas.
Evitemos as expressões: Você não precisa chorar! Ou, não chore! Quando estivermos acolhendo a dor de alguém.
Permitamos que o outro se expresse no choro e comecemos a perceber como esse hábito é saudável e natural.
Podemos chorar... Aprendamos com as nossas emoções, com nossas alegrias e dores e reconquistemos a verdadeira saúde espiritual.
Redação do Momento Espírita com base em vídeo
de Pamela Magalhães (@psipamela), no cap. 7 do livro
O ser consciente e no cap. 17, do livro Momentos de saúde,
ambos do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de
Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 15.10.2026