Momento Espírita
Curitiba, 17 de Outubro de 2026
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ícone A dor da ausência

A dor da ausência costuma ter o peso dos momentos que deixamos de conviver. Quando alguém que amamos parte para a pátria espiritual, a casa da alma silencia e o pranto revela o amargo sabor do arrependimento.

É o choro doloroso de quem teve a oportunidade preciosa de compartilhar coisas belíssimas com aquele afeto, mas permitiu que a iludida correria dos dias roubasse o tempo que não mais voltará.

Quantas vezes o convite feito em forma de um sorriso entusiasmado para mais uma viagem pelas estradas poeirentas teve como resposta a negativa?

Furtamo-nos a seguir ao seu lado por caminhos simples, perdendo a alegria de admirar, em sua companhia, o espetáculo sem igual do pôr do sol.

Ou um céu coalhado de estrelas no meio do campo, longe das luzes da cidade.

Deixamos de contemplar juntos a linha indefinida do horizonte, lá onde as montanhas parecem agulhas desejando espetar o céu azul.

Uma poesia tão diferente da praia, onde o horizonte é definido com clareza e precisão pelo encontro entre o céu e o mar.

Na praia, a vastidão é um traço contínuo. Na montanha, é o desejo da Terra em tocar o divino.

Como teria sido abençoado testemunhar esse toque de mãos dadas!

Agora, restam os ecos das ligações telefônicas, das mensagens de whats e o brilho frio das fotos no celular.

Imagens de lugares maravilhosos que ele visitou, paisagens que ele admirou e que observamos com os olhos marejados, desejando haver estado lá para compartilhar o mesmo encanto.

A Doutrina Espírita nos consola ao ensinar que a morte não é o fim, mas apenas uma mudança de endereço da alma. Aquele que partiu continua vivo em outra dimensão e não está insensível aos nossos sentimentos.

Por isso, o remorso não deve se transformar em uma algema que paralisa o coração, mas em um convite ao despertamento espiritual.

Se a oportunidade de caminhar juntos na matéria passou, o tempo do amor e da comunhão permanece intocado. O arrependimento sincero pode se converter na prece afetuosa do hoje.

O pensamento, fluido intangível da alma, atravessa as dimensões e alcança o ser amado onde quer que ele esteja, envolvendo-o em um abraço de paz e pedido de perdão.

Que as lágrimas trazidas pela saudade nos ensinem a não mais adiar a convivência com aqueles que ainda caminham conosco.

Que desaceleremos os passos, aceitemos os convites e jamais recusemos a chance de contemplar belezas ao lado de quem amamos.

Olhemos ao nosso redor e desfrutemos cada minuto precioso da vida com nossos amados. Aprendamos a eleger o primordial, o mais importante.

Um entrelaçar de mãos, um repousar a cabeça no ombro do outro, o acompanhar os esforços de quem deseja se laurear nas ciências, nas artes, ou em algum torneio esportivo.

Estejamos presentes, sorrindo, torcendo, gritando o nome amado para que saiba que estamos vibrando. Que deixamos os afazeres de sempre para estar ali.

Porque ele, filho, cônjuge, amigo é importante. Muito importante para nosso coração.

Não deixemos para falar sobre lápides frias ou em despedidas tristes.

Este é o melhor dia para estar com quem amamos.

Redação do Momento Espírita
Em 17.10.2026

 

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