Momento Espírita
Curitiba, 24 de Outubro de 2026
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A dor da perda é uma das travessias mais difíceis e misteriosas da experiência humana. Quando parte alguém que amamos, deixando o palco deste mundo, um silêncio denso e gélido parece tomar conta de tudo ao nosso redor.

Precisamos viver essa dor. O luto não é um equívoco da alma ou um sinal de fraqueza. É um processo necessário de reajuste íntimo.

As lágrimas são o orvalho que umedece a terra árida do coração ferido, permitindo que a esperança, no seu tempo certo, volte a brotar.

Não devemos fingir que o coração não sangra. Contudo, existe um limiar delicado e vital entre vivenciar a dor e aprisionar-se nela.

Muitas vezes, na tentativa desesperada de desejar manter o ser amado por perto, paralisamos a nossa existência. Deixamos de viver.

Mergulhamos em um oceano de angústia permanente, iludidos pela falsa crença de que a intensidade e a duração do nosso sofrimento são a medida exata do nosso amor.

Acreditamos que deixar de sofrer, ou permitir que um sorriso aflore novamente aos lábios, seria uma traição. Pensamos que cicatrizar a ferida seria o mesmo que esquecer, diminuindo o valor que essa vida teve para nós e desonrando, de alguma forma, a sua memória.

Ao observar nossos dias cinzentos e nossa recusa em abraçar a vida que continua a pulsar, com certeza nosso afeto poderá nos endereçar uma pergunta:

Por que você construiu um monumento de dor tão pesado ao seu redor, quando toda a minha existência ao seu lado foi baseada no amor?

Essa única indagação tem o poder extraordinário de quebrar as correntes do sofrimento crônico.

A verdadeira traição à memória de um grande amor não está em voltar a ser feliz, mas em transformar a sua lembrança brilhante e luminosa em uma sombra escura de tristeza interminável.

O amor, em sua essência mais pura, liberta. Jamais escraviza. Ele não deseja o suplício ou a paralisia do outro. Ao contrário, anseia pela sua paz, pela sua felicidade e pela sua contínua evolução.

Quando descobrirmos que deixar de sofrer não significa esquecer, um horizonte novo se desvela. A dor dilacerante cede lugar a um sentimento mais nobre, maduro e reconfortante: a saudade serena.

Essa saudade que ilumina o peito, que nos faz sorrir ao lembrar de uma história engraçada ou compartilhada, que nos fortalece nos instantes de fraqueza.

Não diminuamos o valor inestimável da vida do nosso afeto resumindo-a a um ponto final de inércia e lamentação.

Honremos a passagem dessa alma pela Terra vivendo de forma plena tudo aquilo que ela gostaria que vivêssemos. Derrubemos, pedra por pedra, o pesado monumento de dor e solidão.

Em seu lugar, com paciência e carinho, cultivemos um jardim vibrante de memórias felizes. Aqueles que amamos não morrem jamais. Eles apenas se mudam para o endereço mais seguro: o nosso coração.

Acolhidos na luz, eles aguardam pacientemente que o nosso pulsar seja, novamente, de pura alegria, paz profunda e imensa gratidão à vida.

Redação do Momento Espírita
Em 23.10.2026

 

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