As parábolas de Jesus são códigos de luz que aguardam decifração. Aos poucos, à medida que nos tornamos mais esclarecidos, nós vamos entendendo sua essência.
Uma das mais impactantes é a parábola da rede.
O reino dos céus é semelhante a uma rede. Lançada ao mar, reúne peixes de toda espécie e, depois de cheia, separam-se os bons nos cestos e deitam-se fora os ruins.
Assim será no fim do mundo: os anjos separarão os maus dentre os justos, lançando-os na fornalha do sofrimento, onde haverá choro e ranger de dentes.
Essa imagem parece severa demais, motivo pelo qual nos cabe retirar o espírito da letra.
Primeiramente, tenhamos em mente que esse fim do mundo não é a destruição do planeta, mas o fim do velho mundo, dos velhos costumes e o advento de uma nova fase, abrindo um novo programa de vida.
A rede representa a lei suprema que atrai a todos, e os anjos são os Espíritos superiores encarregados desse apuramento moral.
Uma advertência que devemos considerar é de que não vale só conhecer, é preciso praticar. Não vale estar na rede, é indispensável ser bom!
Muitos exigimos lealdade, mas não a praticamos. Clamamos por indulgência sem sermos indulgentes. Pregamos a humildade, mas buscamos os primeiros lugares.
Se ficarmos na penumbra da vaidade, não seremos selecionados para os cestos da nova geração.
O Espiritismo deixa clara a justiça de Deus, retirando o caráter sobrenatural do Além e revelando a certeza da vida futura.
A reencarnação explica as anomalias da nossa jornada, mostrando que cada um renasce segundo a sua semeadura anterior.
Deus não criou privilégios nem privilegiados. Todos fomos criados simples e ignorantes, com a mesma essência e destino.
Os que praticamos o mal demonstramos ser Espíritos retardatários, que nos deveremos aperfeiçoar, depurando-nos na fornalha de dor dos mundos inferiores.
A razão rejeita as penas eternas. As portas do arrependimento e da reparação nunca se fecham.
Pela lei dos renascimentos, os laços de família deixam de ser carnais e se tornam verdadeiras uniões, solidários no passado e no futuro.
Frente a todas essas ponderações, cabe-nos indagar, dentro dessa rede da parábola do Mestre, que tipo de peixe somos nessa estação do agora?
Somos o peixe distraído, preocupado apenas com as nossas coisas?
Somos o peixe que entendeu a importância do bem, mas que só prega por palavras? Ou, finalmente, somos aquele que se esforça para ser bom diariamente?
Que tipo de esforços temos feito? Ou temos exigido mudanças somente nos outros? Temos pensado apenas em nós mesmo, egoisticamente, ou já conseguimos ter a visão do cardume?
A renovação do mundo não será feita por um milagre do céu. Somente se concretizará pela mudança íntima daqueles que nos reunimos em nome do amor.
Acalmemos nossos raciocínios e abramos o coração para o amanhã. Façamos o nosso trabalho de evolução hoje, sabendo que a caridade real é o único caminho seguro na jornada da eternidade.
Redação do Momento Espírita com base
na Parábola da rede, do livro Parábolas
e ensinos de Jesus, de Cairbar Schutel,
ed. O Clarim.
Em 24.10.2026
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