Conta-se que Mahatma Gandhi, ao folhear as páginas luminosas dos Evangelhos, exclamou, perplexo: Como pôde uma árvore como esta dar os frutos que conhecemos?
E a história narra que, nos dias turbulentos da Reforma, Melanchthon, assustado com a depuração dos ritos, indagou a Martinho Lutero:
Se tiras tudo dos cristãos, o que lhes pretendes dar? Ao que o reformador respondeu, de pronto: Cristo.
Tais ponderações, vindas de vultos tão expressivos, nos convidam a um mergulho interior: O que temos feito com as lições imperecíveis e os exemplos sublimes do Mestre galileu?
Para a humanidade, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que podemos aspirar na Yerra. Deus no-lO oferece como Guia e Modelo.
A doutrina que Ele viveu e ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, pois, sendo Ele o único ser puro a pisar o solo terrestre, era o Espírito divino que O animava.
Ocorre, porém, que temos sido, muitas vezes, cristãos sem Cristo.
Em belíssima lição, um benfeitor espiritual nos diz que é comum reverenciarmos o divino Mestre com todas as forças da alma. Entretanto, não devemos menosprezar a urgência de honrá-lO nos nossos semelhantes.
Guardamos a sua memória entre flores de carinho nos altares do mundo, mas é preciso estender os braços aos que clamam por Ele entre os espinhos da aflição.
Buscamos a Sua presença no santuário da prece, rogando apoio e consolo, no entanto, é chegada a hora de lhe oferecermos mãos operosas no auxílio aos que atravessam o escuro labirinto da agonia moral.
Para esses corações em pranto, uma simples oferta de nossas facilidades constitui, quase sempre, a luz de um novo estímulo à luta.
Parece que as sombras que abrigamos no íntimo sofrem de fotofobia diante da luz que emana do amor imensurável de Jesus.
Um amor que devolve a esperança e estabelece o roteiro para atingirmos o patamar de sal da terra e luz do mundo, conforme Ele nos assegurou.
Os Espíritos do bem nos apresentam o Mestre como mentor claro e direto da alma. Eles nos falam a respeito da responsabilidade de viver, para a qual não nos bastam as demonstrações puramente exteriores.
É imperioso dignificar o Mestre na consciência, procurando refleti-lO em nós mesmos.
Mas, para que essa sublime transformação aconteça, é preciso, antes de tudo, matricular o raciocínio na escola da caridade, que será sempre a mestra sublime do coração.
É necessário que nos esmeremos na superação das mazelas morais e tenhamos a coragem de abraçar os roteiros cristalinos que, por vezes, teimamos em abandonar.
Precisamos ser cristãos com Cristo, demonstrando que somos Seus seguidores por muito nos amarmos.
Cabe-nos deixar de sermos apenas admiradores para nos tornarmos vivenciadores do Seu Evangelho.
Muito além de apenas assimilarmos as Suas lições e exemplos, passemos a agir e reagir em perfeita harmonia com as Suas ações e reações, fazendo de nossas vidas um reflexo vivo do Seu infinito amor.
Tornemo-nos autênticos seguidores das Suas verdades.
Redação do Momento Espírita, com base
no cap. 14 do Livro da esperança, e no cap. 80 do livro
Religião dos Espíritos, ambos do Espírito Emmanuel, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e CEC, respectivamente.
Em 27.11.2026